Sejam Bem Vindos!































































































O PÃO DAS MINHAS MANHÃS


Autor: Agnaldo Tavares Gomes


APRESENTAÇÃO

Minha poesia à mulher realmente mulher.
Àquela que veio como as borboletas de Quintana
pousar no meu jardim...
E trouxe-me num sorriso milagroso,
 a cor que era ausente em minha vida...

Ela é uma jóia! – e rara.

Que a poesia de sua vida seja presente no meu coração orgulhando-me em tê-la na minha história.

Sou grato por existires no meu caminho, “pequena poetisa” jornalista genial!

(As poesias que compõem este livro foram escritas em 2011.)



                       DEDICATÓRIA

                       Á uma jornalista que tem a ética na ação
                       e a poética no coração.



O PÃO DAS MINHAS MANHÃS

Você não veio hoje
E a noite anoitece triste...

Não te ouvi dizer “lhe amo”
E é como se nada existisse...

Espero que amanhã me volte
E traga teu sorriso junto ao sol...

É teu sorriso o pão das minhas manhãs.



CANÇÃO CARINHOSA

Dedilhar-me os dedos na tua face e
Tocar uma canção carinhosa – te ver sorrir...

Brincar no teu lábio o meu lábio e
Brindar o amor que nos possui...

Meus olhos deixá-los assim, nos teus
Fixados, ternos, como sempre apaixonados!...

Minhas mãos as tuas mãos enlaçadas
Enamoradas, compactadas...

Nossos corpos atraídos sublimemente...
– Opostos corpos à lei do amor!



PARTIR OU FICAR

Estamos no mesmo impasse: partir ou ficar.
Queremos contemplar nossa face – apenas nos olhar...

Destino cruel?
Não; não há destino.

Acaso mal casado?
Também não há acaso.

Estamos diante, talvez, da maior escolha de nossas vidas.



É TER CALMA...

Olhos tristes...
Vazio n’alma
Vontade de ir embora...
Mas pra onde?
É ter calma...
Um dia a estação flora
Chega o bonde
E tudo...
Tudo se ajeita.



A FLOR E O COLIBRI

No prazer compartilhado entre dois corpos amantes
Uma flor de puro encanto, palpitante
Vibra quando um colibri lhe vem beijar...

Desabrocha..., enfeita-se de rubras cores
Ao amante que entre as pétalas procura
O néctar mais doce que de outros amores.

Colibri apaixonado, a cuidar a flor que ama
Pra que esta mais brilhante, orvalhada
Entre as flores seja eterna... – namorada!



CHEGUE PERTO

Chegue perto, meu bem, do homem que te faz rir...
Se mostre natural, amável, mulher...

Deixa que o teu amor me cante...
Que esse coração em teu peito diga
Que amas o poeta pra sempre...

Sabes que não sou perfeito [nem posso]
Tenho a imperfeição de ser homem
O desejo de ser rei e o sentimento
De uma criança que perdera o doce...

Volta-me, meu bem... Teus risos são meus
Faça-me feliz os olhos tristes... – tão seus.



MAIS QUE GOSTAR

Não, não quero questionar o teu amor por mim
Nem quero decifrá-lo, quero saborear
Na essência do teu corpo no dialogo ao meu...

Nosso amor compreende sinfonicamente...
É música que semeia esperança em nosso ser
Que nos faz gostar de nós mais que gostar...

Quero-te no além dos versos que escrevo...
No meu peito a suspirar de amor – tremente
Na eloqüência dos nossos beijos – só nossos.



ENTREGA

Abandono a praia, me entrego aos teus braços qual
O marinheiro se entrega ao mar...
Entrego-me confiante no amor que tu me dizes amar.

E mesmo que imperfeito (humano) no verbo perfeito (amor)
Eu sigo humanamente amoroso o meu caminho
Na certeza de não lhe perder.

Não tenho medo do horizonte imenso onde
Ponho-me a pisar
Trago a certeza dos passos sob meu calcanhar...

Tenho a fé que por trás daquele monte há um lugar
Onde me possa acalmar o coração aflito
Junto ao meu amor tão grande encontrado...



TU NÃO PARTES

Não, tu não partes quando “partes”- ficas!
O tempo não te engole nem o espaço te exprime.

Tu ficas na partida... Tu chegas sem partir.
Não vais... Tu não vais nunca!

Não te tornas passado porque és presente.
És presente sempre! – nunca ausente.



EM CONTEMPLAÇÃO

Entra-me vento frio pela janela... Não me importa!
Sou todo coração!...
Vez por outra um ou outro me empurra a porta!
Estou em contemplação!...

Tua foto, tua face, teu sorriso
Tudo, tudo me convida
A ser “grande” na vida!

E vou desenhando paisagens
Pintando às cores, à alegria
Do amor que me inspira!



PERMITIR O AMOR

Podemos permitir o amor agraciar nossa vida!
Minha graça, minha felicidade é minha “pequena”
Ela sabe perfeitamente chegar e fazer festa no coração do poeta!...

Não me diminui como ser, mas me engrandece!
Dar-me forças pra que eu possa seguir com meus ideais
A ser “grande” na vida!

Permito esse amor entrar na minha vida
Sem mendigar um único sorriso de seus lábios...

E na fé do coração sempre em festa eu a canto: Eu te amo!
E ela canta-me “Eu lhe amo!” com a voz doce e apaixonada.



INCERTEZAS

Presos às incertezas do amanhã o amor não semeia esperança...
Talvez presos num verso de Drummond: “o tempo pobre”
O amor empobrece devera...

Há de se contemplar o amor no presente instante!...
No desejo de unir mãos e bocas
Na confiança do sim eternamente...

O amor abre caminhos por entre as águas...
Atravessa desertos silenciosos...

Creio no amor que me move.



FEITO CALEIDOSCÓPIO
             
O teu sorriso é feito caleidoscópio...
             
Trouxe-me as cores ao “bom dia”
             
É ele do meu êxtase o ópio
           
Esta coisa bonita que se acha alegria!



TER FORÇA

Ter força, coragem de seguir os versos...
Mesmo aos pés ter espinhos, que no caminho haver pedras
Que o coração cura de cicatrizes...

Encontrar-se depois de perdido...
Regatar-se das cinzas sonhos e desejos adormecidos...

Não quero mudar o curso dos rios,
Nem quero transpor o intransponível,
Quero apenas seguir...



RUMAR SOZINHO...

Não quero rumar minha vida noutra direção...
Quero ir de encontro a ti, meu amor!

Não sou cientificamente um bobo
Sou bobo poeticamente... – por você!

Quero resgatar a confiança em mim na confiança tua...
Não sei se consigo ir sozinho pelas ruas...

Quero o amparo no teu peito quando a dor viver...
Tu sabes que sou homem, que choro – não uma pedra!

Quero-te pra mim, só minha,
Minha senhora, minha menina, minha mulher.



ALGUNS QUILÔMETROS

Cá no meu silêncio me desenha teu rosto
O pensamento ativo e sereno...
Suspiro bobamente qual criança rindo
A graça das cores no peixinho Nemo.

Hoje avistei flores na estante exposta
De uma floricultura na rua sem nome
Quis trazer uma orquídea ao meu bem
A mulher que me faz ser grande – homem!

Mas a distância..., essa coisa boba
Vivi a impor milhões de coisas...

São alguns quilômetros..., nada mais
Distância de um cais a outro cai...



MINHA SENHORA

Minha senhora, a noite é fria...
E o silêncio minha companhia!
Lá fora há um vento que sopra
Não bandeirolas
Mas a velha palmeira no quintal...

Tenho o peito calejado de amores vans...
Tu és meu remédio!...

Contigo não sinto tédio,
Nem medo, desespero, abandono...

Contigo me sinto homem
Amado, valorizado, importante...

Se “se morre de amor”, não acredito
Mas que se vivi com amor sim!

Minha senhora,
Quero viver o amor contigo!



MINHA BELA JORNALISTA

A paixão que nos move é chama infinita...
Quanto mais te quero; mais te quero ainda
Como um chegar a todo instante no cais
Sedento de amor e mais..., amor!...

Contrariamos as leis dos homens
Porque a lei que nos move é liberdade
Na qual compreendemos nosso querer
E no querer sincero buscamos..., a eternidade!...

Eu te amo, tu me amas...
E amor em nós é conjugado
Na certeza,
Na esperança,
E, na fé, consumado!...



MEU AMOR...

Meu amor é um afago tão bom no coração que
Meu desejo é nem ser eu...
É ser amor em totalidade pra merecer
O amor de meu amor!...

E quando meu amor me diz: “Eu lhe amo!”
Minha cara é toda um riso!

Não me afoga em ser feliz...
Em ser feliz eu existo!



AMOR CONJUGADO

A esperança renasce no amor presente
E no presente amor nos traz a certeza
De que amor conjugado é o melhor que existe!

Eu te amo!
Tu me amas!

Eu quero ser alegre e não ser triste.

É melhor ser alegre que ser feliz!...

Felicidade são conquistas de instantes...
Alegria, um estado absoluto!



MINHA PEQUENA

Tu és grande, minha pequena! – és grande.

Teu olhar poético absorve as coisas
As transformam em admiráveis!...

Revela as feiúras do cotidiano torto
Traduz a beleza em arte!...

Minha pequena é frágil quanto a uma rosa...
E é tão forte quanto a uma rocha!

Pequeno diamante que me vale tanto!



MEU ANJO CERTO

Vens quando me dói o coração errante
Quando no deserto este coração é triste
À procura entre dunas de um oásis
Onde possa matar a sede de instante...

Vens e fazes primavera a minha alma
Mostra-me de entre as pedras um jardim
E me diz com ternura, a voz calma:
“A felicidade mora ali!...”.

Tu és um anjo certo na minha estrada...
Vens conduzir-me a atravessar a ponte
Lapidar teus versos juntos aos do poeta
Com a certeza de que na vida seremos um
Eu completo contigo, tu comigo completa!



SAUDADES DE MINHA “PEQUENA”

Sinto saudades de minha “pequena”
É ela a luz que alumia minha cara...
E a minha casa que é verde claro
E as casas multicores por onde entro
Clareiam à alegria da cor alaranjada
Da casa que minha amada edifica-me!...

A casa que minha amada edifica-me é tipo
A casa pintada pelo pai da poetisa (Adélia Prado)
Alaranjada brilhante,
“Constantemente amanhecendo...”



O AMOR NA SUA ESSÊNCIA

Como diz minha “pequena grande mulher”:
“Eu não quero compreender o amor, quero sentir”.
Quero sentir o amor na sua essência, longe das palavras...
Quero sentir no corpo e além... – na alma!
Quero embrulhar todo meu ser nessa coisa maravilhosa,
Incompreendida a qualquer forma de explicação...
Apenas sentida
No coração.



PARADIGMAS DA SOCIEDADE

Perdi dos olhos o reflexo de minha estrela...
Minha adorável estrela que assim
tão devagarzinho foi surgindo até
Fixar-se no meu mundo...

Todos reparam no coração do poeta isolado lá dentro do peito...
Não há sorriso que desfaça certo medo...

Não foi a tinta dos versos que se acabou,
Foi o tinteiro que se emborcou sobre o poema...

Paradigmas da sociedade! Assombros diários!...
Assombrou os olhos de meu amor...

É constrangedor ser homem nesse mundo torto.



ROSA CASTA

Minha negra é tão linda!...

Sei... não és Manuela
Que o poeta versejou
Seu romance de amor...

Mas és bela – muito bela
Tem no lábio o beijo em flor
E no seio o calor...

Rosa casta do sertão!



É NATURAL   

É natural assim com das flores
           
O perfume que de Ti me encanta
           
Que no meu rosto pinta as cores
           
De um sorriso composto de esperança.



CAFÉ POÉTICO

Preparas um café poético que o poeta retorna aos versos!...
– ao poetar.
Boa amiga, grande mulher, se meu coração te apaixonar não tenhas medo
Embrulhe-me no teu peito e cante-me uma canção:
“Não chores poeta amigo...
estou contigo...
tudo vai ficar bem...
cem por cem”.



AQUELA CANTIGA

Meu coração aquece no coração de ti
Qual o pássaro que encontrou o ninho
Depois de muito... muito desertado
Sem água, sem pão, sem abrigo...

Aprendo-me contigo a cada passo
Romper uma pedra do meu caminho
E a cada aconchego no teu peito sinto
Que neste mundo eu não sou sozinho...

Teu amor é aquela cantiga
Que me convida a mergulhar na fonte
Beber da água que me faz eterno
Um ser mais forte, mais humano, terno.



ESPERO POR VOCÊ

Espero por você na ansiedade que um garoto
Que se perdeu no caminho à escola...
Sujo, olhos murchos, tristes lábios
Num choro contido de saudades de casa...

Vem me buscar, estou encostado
Num muro qualquer de uma casa qualquer...

Vem me buscar, perdi meus sapatos
Na minha mochila apenas migalhas de um chocolate...

Espero por você, vem me buscar
Dar-me teu peito pra eu recostar
Meus tristes olhos cansados de esperar...



TER ESPERANÇA

Tudo em mim é puro vazio...
Tu foste a primavera que abençoou o meu caminho em flores...
Eu pude rir quando vieram borboletas saudar-te...     beijar-te...
Mas, o destino das flores é despetalar-se!
Tu despetalaste no meu caminho...
O vento desértico varreu-te de mim!...
E agora te espero no regresso...

– Ter esperança é isto!



BREVIDADES

Queria sentir tua pele no meu lábio,

Roçar meu nariz,

Beber teu perfume em porções delicadas...

Fazer carinho no teu corpo

Beijar teu seio

Te amar!...

E depois...

Adormecer

Juntinhos

Sem se importar

Com a brevidade da vida – ser feliz!



FICA

Não quero te perder de vista, meu bem – não quero
Você chegou devagarzinho na minha vida
E enfeitou-me de risos meu rosto triste...

Beijou-me o coração como ninguém.

Se tu me amas, meu bem, não vá embora... – fica
Um bocadinho pra eu te olhar de bem mais perto
E ver que tu és a minha estrela...

Aquela estrela que por bobeira deixei fugir...



O AMOR POR VEZES PAUSA...

Tua ausência proposital ou não proposital
É lança no peito que me silencia na dor
De ver que o amor por vezes pausa...

Penso que já não amas me
E na eloqüência de Drummond
Cobro-te que me digas repetido:

“... de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos...”

“Eu te amo!”



NADA MAIS

Não queria nada mais que...

apenas

me prender em teus braços e me perder em horas à eternidade...

Ser eterno com você me basta.



DEIXASTES-ME SEM REMO

O mar bravio... – vento na proa

A tempestade é sinistra!

Nenhuma orquestra entoa

Nem de um laço vê-se a fita...



O MEU AMOR

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
(Saint-Exupéry)

O meu amor é uma criança que precisa ser cuidada...
Cuide bem do meu amor como se cuidasse
De O Pequeno Príncipe de Saint Exupéry!...

É tão frágil... Tão simples... Tão natural...
E é preciso ser levado nos teus braços ao poço
Onde possa beber da agüinha encantada...

“Oh, meu pedacinho de gente, meu amor
Como eu gosto de ouvir esse riso!...”

O meu amor é um pássaro que precisa ganhar asas!...
Cuide bem do meu amor – cuide mesmo!
E aos pouquinhos deixe o voar do cativo...

Para onde fores te recordarás... – amarás!...
Como aquela flor que amou o principezinho...



GRACIOSA POETISA

Há uma graça no sorriso da poetisa que sorri...
Há essência na tua existência como há
Na “flor campestre que embalsama os ares”.

Uma transparência de verdade há nos olhos de Ti!
Uma sinceridade singular! Algo que o dizer adultera.

São mágicos os versos que escreves por que...
Escreves com a tinta do coração poético!



PRECES DE UM COLIBRI

O colibri assentou suas asas por instante
E deixou os olhos na direção da flor... – solitário.

Ela está adoecida – mora longe...

Queria o colibri voar à flor, mas...
Suas asas ainda são curtas pra tamanha distancia...

Resta ao colibri senão fé
De que a flor tornará
Com todo encanto e poesia em suas pétalas...

Ele está em preces...



MEU INTENTO

Pousas para mim..., e é toda especial!
Tens um carinho no rosto que floresce...
E no corpo curvas que me atrai... – me aquece.

Traz na alma as sensações de pureza 
E me toca no coração poeta
Com genialidade amorosa, destreza.

É meu sonho, minha realidade, meu intento.



“MEMÓRIA DO PRAZER”

O teu perfume tem alma...
Talvez explique por não conseguir te esquecer.

O teu perfume é presente nas músicas – nossas canções!...
Presente na “memória do prazer”

E eu não sei – juro que não - "rejeitar um pensamento assim".



ENQUANTO

Enquanto tu não me chegas vou admirando teu rosto
na fotografia que me destes...
Tenho as mãos frias do inverno, desejo de tocar as tuas,
fazer carinho nos teus dedos e tanger pra longe...
bem pra longe os nossos medos...
Sei, tens medo do improvável!...
– eu também tenho.
Tem esperança, mas vaga às vezes...
Ah, em qual lugar te encontra no instante que meus olhos correm as vidraças e busca lá fora um vestígio de você?...
Sabe; aqui um poeta que é teu:
“a mão no queixo, a perna cruzada triste
e aquele olhar que não vê.”

Diz-me alguma coisa pra sossegar no peito esse coração poeta.



SAUDADE...

Saudade do olhar cansado da labuta
Pouso em fotografias ao poeta...

O sorriso claro e ditoso
Dizendo-me verdades nesse mundo injusto...

Saudade da mão apanhada ao lápis
A correr versos no papal dos sonhos...

O sorriso largo, carinhoso
Apontando-me caminhos mais justos...

Saudade da mulher, poeta, jornalista, humana.

***
Esse embrulho mal feito
Que deixa o peito
Sem jeito...



ELA SILENCIOU...

Ela silenciou os versos...

Deixou sobre a mesa o papel e o lápis
E o olhar perplexo no mundo injusto...

Não! Foi só um susto.
Sua fé é inabalável!

Logo mais retorna com versos novos!



POR CERTO...

Meus olhos desmaiam na tua face
Tentando compreender os “porquês”...

Há um vazio entre o espaço
De minhas interrogações e os olhos de você...

Por certo seja tu meu anjo certo
Que veio me espiar daquela estrela...

Eu não creio nas circunstâncias – creio no amor.



O POETA

Acordou e olhou para o telo e avistou um pouco de sol que entrava pela janela...
Um suspiro melancólico,
Uma palavra seguida do nome da amada...
É seu pedido de perdão como a oração de principiar o dia...
Era preciso antes de pôs os pés no causado,
Antes de lavar o roto e tomar o café solitário...
No caminho contemplou paisagens sem sentido,
Rostos sem feições...
Seus olhos estavam vazios,
Seguia mais cabisbaixo que o olhar a frente...
Na lida diária, esqueceu de quem era, camuflou-se de matuto,
De Clarice, de Shakespeare... – ganhou risos e aplausos...
O dia se foi...
E o sol apanhou sua luz e partiu...
Assuntou-se no espelho,
Aparou com as mãos algumas lágrimas...
Motivou-se a se mesmo.
Seus lábios se envergaram,
Seu olhar se perdeu no silêncio e na lembrança...
Uma oração
Um nome
Uma esperança.



VERSOS A AMADA SINCERA

Trazer versos a amada sincera.
Ver brotar de seus lábios pétalas...
É o sonho de qualquer poeta
Que sabe a receita certa...

...de um bom poema!



É TRISTE...

É tão triste quando o amor nos leva os sonhos
E nos fazem dos olhos cabisbaixos...

Vai pela rua o menino chutando pedras...
Gesticulando com a cabeça seus nãos interrogativos...

É triste e dói olhar o amor que se ama pela penumbra
E ver que aos pouquinhos se desmancha...

Ai..., aceitar as razões de um amor é doído de mais.

Eu prefiro pensar com o coração e deixar que o futuro nos abra caminhos...



TEU SEIO ESSA NOITE

Quero me deitar no teu seio essa noite
Qual o viajante cansado da partida
De bem longe..., bem longe
Ao encontro da amada predita...

Fria noite! Deserta rua...
Quero o calor dos beijos
Minha amada despida, nua
A se aquecer no meu peito... – nu.

Que assopre o vento lá fora
Não tenho pressa, não conto as horas...
Quero minha amada embrulhada ao meu corpo
Tomar em seus lábios beijos em fogo!...

Não tenho pressa, não conto as horas...



NA PRESENÇA DE MEU BEM

Meu coração é o mais doce canto na presença de meu bem...
É uma rosa ao retorno da primavera!...
Ou o pequeno príncipe a adorar a rosa...
O mais certo é que meu bem é uma rosa..., e eu
O “Pequeno Príncipe" cativado por ela.

***

Sou bobo, meu bem é doce
Minha rosa que tanto amo!
Quero cuidar de minha rosa
Neste planetinha que mal cabe
O coração de nós dois!



CONJUGAMOS

Constantemente o amor conjugamos...
Tu me amas e eu...
Te amo!

Sensação de prazer, de amor conjugado...

No corpo e na alma
Amamos...

No quarto e na sala
Amamos...

A nossa calma
É amar.



QUATRO VERSOS CARINHOSOS

Um coração bom num ser reflexo

De uma verdade simples ao mundo complexo.

Nada tão especial e mais ético

Que este olhar amoroso e poético!



ESTES OLHOS

Estes olhos serenos e negros...
Reluz a alegria que em meu ser palpita
Na única esperança... – a que me aflora a alma.

Quero a calma de teus olhos nos meus...
Ser embalado nos braços teus...

Quero a mão da poetisa no meu rosto – carinhosa.
O conforto dos teus aos meus contornos...



AUSÊNCIA

A vida me extingue na ausência dela...
O relógio me contrai
As canções emudecem
As folhas não dançam
E a esperança que me afigurou tanto nas borboletas
Parecem tangidas por anjos rebeldes...



AUSENTE

Eu cheguei..., você se fez ausente
Porque era triste o teu olhar presente...

Os sonhos roubados pelas circunstâncias.

Talvez a montanha à frente nos ponha estáticos.
Talvez a fé insuficiente seja
Para transpô-la de um lugar a outro...



PODIA

Eu podia te pedir que ficasse

Que acreditasse na flor de cacto...

Podia me jogar aos teus pés e te implorar que não fosse...

Mas seria ao universo um pecado.

Não posso desviar o curso das águas...



N’ARTE

Na arte dos perfumes és tu, perfumista, o artista!
Sabes compor dos óleos mais finos as melhores essências...

Na arte do jornalismo és ti, poetisa jornalista!
Sabes compor dos versos mais simples os melhores poemas...



ELO DE AMAR

Trazes-me a canção no olhar
E me deixa bobo no sentido mais belo...

Meu coração a dançar
Preso ao teu por um elo...

De amar!



DEPOIS DO AMOR

Amor, o desejo da paixão me move...
E eu penso em te querer, te querer, te querer...
E tu, com esse jeitinho impar – tão doce
Merece de mim todas as noites de prazer...

Eu farei juntar estrelas no céu...
E a orquestra dos guizos
Irá faz a melodia do nosso amor...
Nossa música poesia!...

Abrirei as janelas, meu bem
E tu me vens
Despida dos teus trajes mais simples
Aquietar-te no peito do teu poeta...

... depois do amor.



MINHA MULHER

Minha mulher..., às vezes a vida nos parece sem razão...
Mas não é.
É ilusão de ótica!
A vida meu bem – amada! – é um engenho no qual
trabalhamos dias e noites...
Embora o trabalho nos pareça árduo, no fim
colheremos o mel justo ao nosso amor...
Então..., se achegue
Recosta-te no meu peito e ouça
O coração de um poeta que te ama.

Vamos ficar bem.



EU NÃO QUERO ACORDAR

Parece que estou acordando do meu sonho...
E eu não quero acordar.
Quero continuar sonhando
Com a moça que tem olhos bonitos
E o sorriso mais doce das estrelas.

Ah, ela é diferente, é jóia, é rara
É um cometinha delicado
Que pôs a cair na minha frente...

Eu não quero acordar pra esse mundo horrendo...
Não quero pensar que aquela borboleta dourada
Retoma suas asas a voar...

Ai, eu quero ter asas pra voar contigo!



AMOR PRESENTE

É triste dizer adeus a um amor que é presente...
É sofrido correr o tempo sem esse amor consigo.

Há uma presença de Ti em mim que não muda.

Você entrou na profundeza do meu ser...
Foi simples, é simples e será simples – enquanto comigo.



SABE AMOR

Sabe amor; sabe,
estou batalhando
velejando como bom velejador...

Encontrei meu caminho acadêmico
estou eufórico!
entusiasmado...

Sabe amor; ando triste
sinto falta
saudade do teu olhar...



VOCÊ JÓIA

Você não é simplesmente,
Mas sublimemente mulher.
Não é qualquer,
É gentil, generosa, genial!

Tem a sensibilidade das rosas
O coração de uma santa
A sinceridade de um anjo
E o sorrio...
Ah, teu sorriso é coisa linda!

Você é suficientemente humana
Moça “bacana”
Jóia!



DIAS DE AMORES

Tu me elevas à altura do teu encanto...
Me faz pensar que sou príncipe.
Me toca com a ternura de um anjo
O coração de poeta sofrido...

Quero me casar contigo amanhã!
Viver dias de amores no prelúdio de mais dias...

Vou subir no telhado, invejando o Quintana
Vou gritar por teu nome junto “eu te amo!”

Você merece “neguinha” o coração do poeta
Por ser quem é: essa mulher que fascina!



NO SEIO UMA ROSA

A poesia não tem beleza, minha senhora,
Sem que repouse no teu seio uma rosa...

Há um silêncio em mim agora.
Uma pausa...

Recordo o riso no teu lábio – como era doce!
Os olhos teus alumiados – tão moços.

Me acorde, minha senhora... – estou a sonhar...
Mostre-me que em teu seio guardaste a rosa.



ESTÁ ESTRANHO AMOR

Está estranho amor... Tudo estranho!
Os dias estão cinza...
O pão sem sal...
O café amargo...

Sabe, amor..., tenho percebido!
Tu és o sol dos meus dias...
O sal do meu pão...
E o doce do café...



MAS OLHE; OLHE AMOR

Queria mudar o percurso do tempo
Não mais me submeter a angustia...
Trazer-te pra perto... – pro meu peito
E dizer com estes olhos multicores – que são seus.
Que és tu, és tu, só tu meu repouso...

Mas olhe; olhe amor..., tive medo
De tua reação inesperada...

Sei que as rosas têm espinhos
E são belas!



NOSSO CAMINHO FLORIDO (IDÍLIO A UMA JORNALISTA)

Silencioso, a contemplar a dança erótica das palmeiras
E o olhar neutral numa porção de nuvens
Vagarosamente se diluindo...
Como brancas borboletas tangidas
Ao soprar do vento às flores.
Sem reparar nelas o abstrato de que são compostas
Eu olho-as sem olhá-las...

A brisa leve me vem ao rosto num afago sincero
A transformar à tarde fria de inverno em calor suave...
É a bela serenata da natureza a cantar aos meus ouvidos
Os sons mais puros e perfeitos... – como em catedral.
Aconchegando-me o coração triste e solitário de moço poeta.

Triste por ausência da amada que ora em ora
Vinha me beijar no lábio seu beijo doce
Trazendo-me inspiração a caminhar...
Mesmo que sozinho qual caminheiro errante a procura
De um seio perfumado por repouso.

Sinto falta, minha senhora... – sinto falta.
E a cada passo do relógio percebo que te afastas
E que já não posso tocar sequer
No último fio do teu cabelo ao vento...
E o coração é mais ausente na ausência tua.

Queria que a esperança que regamos desce flores...
E que pudéssemos colher em nosso campo
No tempo certo
E florir nossa cama da boa essência do nosso amor.

A brisa invernal traz-me as cores da tua inocência...
Os doces olhos, os risos meigos e os perfumes
Que em teu seio bebi por tantas noites... – inspiração.

Ah, minha criaturinha doce!
Os porquês desta vida nos perturbam, dilaceram
Nossos corações amantes – eternos!...

Se houvesse no mundo ouvido aos nossos clamores
Mas o mundo não é uma ilusão serena, passiva.
É uma realidade que dói constantemente
Quando se tem o coração envolto a impossibilidades...

Não temo o tempo que nos consome... Pois,
Somos inconsumíveis! – o amor nos beatifica a alma.
Ganhamos a eternidade quando
Encontramo-nos no campo a colher flores...

E assim seguiremos nosso caminho florido
Na esperança de colher da natureza
A flor mais bela a nossa vida...




VERSOS DE CIRCUNSTÂNCIAS



Autor: Agnaldo Tavares Gomes


APRESENTAÇÃO

A tarefa do poeta é, sobretudo, despetalar em versos as cores e descores do cotidiano, as belezas e feiuras que circundam a vida humana... Revelar um mundo implícito às sombras da realidade...

Ser poeta não é uma questão de querer, “eu quero!” Mas, uma necessidade proposta pelas circunstâncias da vida... É ele um humano convicto de suas falhas, sem conservadorismo, flexível ao que é verdadeiro...

Não há cobaísmo no apostolado do poeta, não é ele um discípulo compulsório, mas sim uma condição espontânea da grande realidade!...

O chamado do poeta vem através de seu dom de poetizar, pelo qual se faz necessário entregar-se a uma única missão, como assim dizia o grande filosofo Spinoza, “polir as lentes da humanidade”, fazendo com que enxerguem melhor.

Desapegado da política sem deixar de ser político, no abandono da religião sem abandonar o Cristo, deixado de servir com cortesia a sua região, o seu Estado, o seu país, semelhante, em termos de caráter, ao Apostolo maior bandeirante do evangelho, “cidadão do mundo inteiro!” São estas as características do poeta.

Vivo em constante busca por esta perfeição!

(As poesias que compõem este livro foram escritas em 2009.)



                         DEDICATÓRIA

                         Aos amigos e amigas que fizeram e fazem parte dos
                         meus momentos circunstanciais.



VERSOS DE CIRCUNSTÂNCIA

Tenho nos olhos lágrimas resguardadas
E se vão todas de mãos dadas
A tecer verticalmente meu rosto calmo
Contemplando o amor desmaltado...

De braços cruzados, olhos compridos na distância
Poetizando versos sem palavras
Falando a sós
Interrogando-me
Caducando...

Tudo me apresenta clarividente
Os dissabores de uma vida legada a viver
Buscando sempre remédio pro tédio...

A busca da paixão no ego dos homens tortos o coração
De contaminados prazeres pro corpo voraciado
Febrilmente voraciado a devorar carnes humanas...

E o quê que me pergunto não há resposta
São restos de um silêncio num poço depois de um grito ecoado há mil anos...

No acento cruzo e descruzo as pernas freneticamente...
Não tenho as cinzas de um cigarro apagado para deixá-la no vento
Nenhum pensamento formulado sobre a forma ética da etiqueta urbana...

Pouco me importa se devo me comportar como os hipócritas que se julgam superiores
Aos descamisados, descalços,
descartados junto aos cartazes amarelados...

Do acento me levanto serenamente
E vou eu em direção ao jazigo onde jaz um poeta sem orgulho
E sem inscrições na lapide... – mas feliz.

Esboço um riso, mas me vem uma lágrima
Não me decifro o código de mim mesmo
Nem pretendo decifrar Da Vinci...

Mim equilibro em minhas pernas curtas
E tento sempre aprender andar e amar
Como se é dito por imperfeitos que ainda assim
São meros aprendizes como a mim...

Em minha relutância sobre fragmentos
de uma lâmpada quebrada ando
E creio que vivo
E vivo crendo na vida possível...

Desfaço o aceno simplório de mim a mim
E com as mãos sujas cubro os olhos para oculta-los
de me ver embriagar na sordidez de uma falsa alegria na face mutuamente angustiada...

Depois de dar voltar em torno de mim mesmo
Retorno ao acento e sento-me a tornar olhar distanciadamente...
Compondo versos de circunstância.



APENAS UM POEMA

Deixe-me aqui a sós:
Eu e o Poema...
Deixe-me falar de coisas que para os outros
São coisas,
E para mim,
Poemas.

Deixe-me ao pé da cama
Repousar o papel virgem
Sobre o livro de Drummond...

Não tenho saco para crítica
Nem para poesia lírica – de amor.
Não tenho tédio, nem medo,
Nem sono e riso
Saco para humor...

Quero apenas escrever um poema
Sem tema, sem sal, sem gosto algum.

Quero um poema sem mente mentirosa
Não quero prosa nem rima
Não quero conto nem crônica.
Quero um poema,
Apenas.



AO MEU CENTENÁRIO

A eloqüência das palavras eu não perdi
Perdi a mocidade ainda jovem, mas continuo moço
Perdi o endereço do albergue, do circo e da alegria
E vou pelo deserto digitando passos na areia...
Se me chamam, não ouço
Vou de mãos nos bolsos – pensativo...

Confesso: desejei ser monge para fugir de mim mesmo
Para não ver minha sombra reclinada
Uma lágrima quente tecer meu rosto frio e pálido...
Desejei ser boêmio: o vinho morno, a aguardente
As palavras confusas sem entendimento
O banho noturno, os vômitos contínuos
A ressaca de manhã da noite inválida
As agudas pontadas na cabeça...

Mas preferi a vida que a morte
E prefiro a vida que a more
E preferirei sempre a vida que a morte.

Quero morrer de velhice aos cento e um.
Quero assistir ao meu centenário...
Ver meus versos lidos por crianças
Saber que deixo algo de bom a ser cultivado...
Uma singela lembrança – talvez.

Se eu morrer de revolta, morro consciente
De que faço a coisa certa.
Todas as minhas revoltas são certas – acho.
Perdoarei ao inimigo mesmo desconhecendo-o.

Se eu morrer de desastre – e muito novo
Culpo a morte por não souber morrer-me de outro jeito
Que não me deu tempo suficiente a ser útil.

Mas eu quero viver! – enquanto não me chega à morte
E viver é tudo que me importa
Sem o ego que cegam as almas.

Quando eu morrer deixe meu cérebro em paz – por favor.
Será inútil – Inútil mesmo
Procurar nele algo além de neurônios, artérias e veias esvaziadas...

Ouçam isto: Não cultivem cérebros
Cultivem palavras – as boas palavras.



LINGUAGEM

Meio sem eu anda pelas ruas sem pressa...
Procurando ler todos os letreiros por assombro da rudez do mundo moderno.

Perdoe-me, mas os escritos em Inglês eu passo os olhos por ignoto...
Não sei para que dobrar a língua mais que já se dobram neste país de
paraibanos, paulistanos, baianos, pernambucanos...

Basta-me!
No meu país só dobro a língua para falar aquilo que todos compreendem.
Deixemos as más e as boas línguas!...

Se o Caetano gosta de sentir sua língua roçar a língua de Camões
que mal se vê nisto?
Cada um faz o que bem quer de sua língua...

Eu mesmo prefiro a minha na minha boca,
Mas se haver outra boca - feminina - que atraia a minha boca
Deixarei minha língua dobrar noutra...

Deixemos as línguas falarem por si mesmas!...

Cada qual que bem cuide da sua...
Cuido eu da minha...
E falaremos... Do quê?!

Papel por fim, caneta por fim...
Enfim, melhor é finalizar o poema.



QUEM SOU EU?...

Nunca me perguntei antes,
Mas hoje tomei a liberdade.

Deitado no terraço do meu edifício sem andares...
Olho pro céu que imagino estar azul
-mesmo sabendo a real situação.

Pergunto-me ansioso do que eu possa pensar e dizer: ”quem sou eu?!”

Espero mais ou menos o tempo suficiente para tomar uma xícara com café, e, nada.

Talvez eu seja relativo como qualquer coisa
Ou talvez eu seja mesmo uma hipótese
Ou uma tese ou antítese...

Espere aí!

Em vez de eu gastar meus instantes na busca de me dizer quem eu sou
por que não deixar que diga quem na verdade
é esse sujeito que uns dizem poeta, ator, artista, atrapalhado (às vezes) quando é pra dizer quem é.

Talvez algum dia eu consiga fazer um autorretrato de mim.



AMIZADES

Tu acreditas no destino?... Também não.
A vida nos traz más e boas amizades!...
Mas sobressaem as boas amizades que as más.
Estas são eternas. Sobrevive a tempestades sinistras...

Muitas vezes somos intrusos, entramos na vida de alguém sem pedir licença
E quando percebemos já estamos à dividir talheres...
E quando acostumados não queremos ir embora,
E quando vamos embora fazemos brotar de dois olhos duas cascatas...

Quem explica este paradigma?!

Bons amigos nunca ausentam, estão sempre presentes...
Pois o coração onde a verdade fez seu ninho faz se ninho a eternas amizades...
Aqui também serve este recado:
“o que Deus uniu nada separa”

Tenho-te amigo (a) no sorriso largo...
Nos meus atos cotidianos...
No imperfeito e perfeito somos irmãos.
E irmãos em Cristo.

Pra onde quer que eu siga te levo comigo no coração choroso...
Sabes, vou contar-te um segredo que aprendi da vida: “saudade é amor na ausência”

Amigo (a), tomo-te à parte comigo e te levo a contar
uma verdade: sabes por que nunca te perguntei se me amavas?
Por que acredito em teus gestos
Pois teus olhos sempre me diziam amar.

Se preferires, amigo (a), tu me amas?...
Amo-te também... Não por que tu me dizes amar, mas... amo-te por não saber dizer por quê...

Li estas sábias palavras de um poeta cujo nome
não me recordo: “Quem ama nunca sabe dizer por que ama; se disser, é porque não ama”

Então, se um dia nos apartarmos que não seja agora, porque agora quero me envolver em teus braços
e num largo abraço ajuntar tua alma a minha alma...



CHAPÉU SEM ABAS

Sob o meu chapéu sem abas, transparente como a água vinda da mais límpida fonte, escondo meu rosto pobre de felicidade...
Ando disfarçando a vida difícil de levar...                             
Imensa bagagem que o cotidiano me conduz a insertos amanhãs...                                                                                       Talvez a sorte, se é que mesmo exista, me encontre por aí...
Sei, meu maior amargor são meus próprios erros.             
Não sou perfeito como as plantas,                                                          nem perfumada é minha alma quanto às flores...                                                   Sou homem ainda profano.                                                                                     Um garimpeiro do nada neste mundo de ilusões...
Amei. Fui amado.  Serei enquanto vivo...                                                     Sou sábio de que a vida independe de mim.                                                   Se hoje eu for embora, amanhã já não serei lembrado como vivente, mas como passado...
Queria mesmo saber o segredo dos místicos,                                                   como conseguem viver desertados: de sandálias e túnicas em direção aos reinos dos céus...                                                                        Se assim eu soubesse, mais perto estaria à revelação                           do que é ser crístico.
Ando tão fugido da luz, em zigue-zague sobre as espirais que me leva a abismos infindos...                                                       
Tenho sido mais ego que propriamente Eu,                         
Esquecido de meu real sentido de ser humano.
Retiro meu chapéu sem abas e vou pela vida                                           corrigindo-me os passos...                                                                                           Pois eu sou senhor do meu destino.



DOAÇÃO

É assim mesmo que corro os versos neste principio de noite... – À luz de
vela –
Deu-me vontade de compor – e eu componho...
Se meio apagado me saem os versos... Se me saem respingados...
Por favor, não culpe o poema!
Culpe o poeta...

Mal comecei... a vela já está no finzinho...
Terei de acender uma outra apressadamente...
Espere um pouquinho!...

(pausa)

Já estou de volta... de luz nova!
De uma vela que se queima reconhecidamente
Que a vida lhe foge...

E quantas velas não morrerão neste instante?...
Para ausentar a escuridão nos lares
Afastando o medo das crianças
Os maus preceitos das mães...

A luz deu um leve sinal de regresso...

Enquanto a lâmpada continua adormecida
Eu tento compor à luz de vela... e componho...

Do quarto ouço barulho na sala...
É o gato a brincar como o carrossel de linha...
Murmúrios de vozes... palavras sem nexo...

Todos esperam pela luz como se pela sorte!...

A noite tarde-se... a vela desmancha...
O gato continua o alvoroço...
Os murmúrios não quietam...

A luz!( está de volta)

Gritos... assovios... enchem a noite em festa!...

Assopro o restinho de vela que ainda me sobra...
E que sobra vida a ser legada a ausentar o escuro
De um novo apagão inesperado...

Que doação!
Se todos os homens se doassem uns aos outros
Como se fazem as velas!...



"O AMOR VENCE O ÓDIO”

Às vezes sinto ódio em mim
e perco a vontade de amar...
E perdendo a vontade de amar perco a vontade de viver...
E não quero amar porque amar às vezes me deprime...
Mas sempre o amor me convence a amar
com a mesma ladainha de sempre:
"o amor vence o ódio... o amor vence o ódio...
o amor vence o ódio..."

E vence mesmo!



UM POUCO DE REVOLTA

Queria dizer adeus ao mundo louco!...

Queria deitar-me essa noite nos braços da primeira mal amada que encontrasse à caminho ao suicídio...

Queria despir-me e andar pelas ruas desertas sem que ninguém me visse e me julgasse obsceno...

Queria dizer em voz elevada o nome das prostitutas que desejei amar loucas sobre meu peito...

Queria pôr fogo nos palácios que guardam os reis que se dizem deuses e que não passam de fezes fedidas
enfeitadas de ouro falso...

Queria deposta os “políticos” que profanam ao Cristo, que comparam-se a Rui, que idolatram a si mesmos,
Que nos furtam à luz e que obscenamente nos fazem caras de gozo...

Queria dizer adeus ao mundo...
Sei; o mundo me ensinou a fazer o laço para a forca;
Mostrou-me o precipício, o revólver, a faca...
Mas ainda assim...
...ainda assim luto e reluto e não me luto jamais!...
O mundo me precisa de mim...

Não darei este gosto aos bispos falsários, capitalistas;
Àqueles que nos chamam de anarquistas, e que são fascistas!

Não darei o gosto às caras de gozos dos “políticos” profanadores...
Dos “bons atores” que nos roubam o direito de enxergar a luz no futuro...

Não darei o gosto nem a forca que deseja como último
Envolver meus pescoço e espreitar até meu último hálito...
E assim apagar a vela que mantém acesa o espírito de liberdade em mim...

Queria dizer adeus aos versos, a melancolia, o tédio,
O ódio, o medo...

Queria dizer adeus a composição de mim que não se chama Carlos Drummond
Mas que é também a de um poeta...

Mas versejo que esse tempo é o tempo do meu poema!...
Meu tempo útil de gritar meu grito e cantar meu canto...
E ecoar aos vindouros irmãos...
Meus sucessores do poema que trago de Gregório, de Castro e de Drummond...

E sempre existira um poeta à advogar em causa dos marginalizados pelos deuses de “merda”.

Salve os poetas!
Propaguemo-nos a poesia infatigavelmente!...



DE VERSO EM VERSO

Nem sei se escrever seja realmente meu ofício
Enquanto não, vivo de verso em verso
A construir meu pequeno... Universo.

Sei, sou algum reflexo no espelho sociedade
Mas que reflexo sou eu?...
Um mero aprendiz – talvez.
Desta grande arte: viver a imensidade!



O SONHO TRÁGICO

Abriu os braços, foi à frente erguendo o haste...
Mostrando o estandarte!...
Cortou o arame, derrubou o cercado.
Curvado ao chão encheu as mãos de um punhado...
Fechou os punhos erguendo os ao céu.
Gritou com força: a terra é nossa!...

Abrindo os punhos deixou o sonho lamber seu rosto.
O pequenino que estava perto lhe abraçou os ombros.
Naquele instante, aquele homem tentou ser forte (não se conteve).
Minou os olhos, caiu em pranto abraçado ao filho...

Limpou o mato, bateu estacas, armou barracos.
Preparou o solo, semeou, a chuva veio, vingou.
Ouviram-se gritos (uma mulher desesperada)               
Qual a desgraça?! Morreu seu filho?!

Chegou um homem trajado a um terno
Envolto a outros em mãos fuzis.
Batendo ao peito o homem disse: a terra é minha!

Armou-os de foices, inchadas, facões...
Postou-os diante ao homem de terno.
O lidere do grupo atalhou o homem: a terra é nossa!...

Tumulto feito. Tiro no peito. Cheiro de vela.
Choro fúnebre. Mulher viúva. Filho sem pai.
Desgraça feita. Sonho desfeito. Tragédia!



LEVIANA

Alguém te olhou com olhos de desejos...
E tu cobriste a pele qual Madalena...

Alguém te fez ver que a vida é feia
Trocou teu nome, pintou teu rosto de cores fortes...

Alguém chamou por ti quando ias...
E tu fingiste não ouvir, pois estavas leviana...

Alguém veio a ti falando simples...
Mas tu, com teu senso infernal, egoísta!
Quisestes palavras desprezíveis...

Alguém te deu a mão quando choravas,
Secou teu pranto, beijo teu rosto...
E tu te afastaste...
Preferindo a vida feia que a vida bela!



DO TELHADO DE CASA...

Hoje, do telhado de casa eis que em minhas costas caem três pingos d’ água, gelados... Minha atitude ao primeiro pingo, revolta; ao segundo, um palavrão engolido; e ao terceiro, uma expressão de riso no lábio... Pois ali eu compreendia a divina comédia: a natureza brincava comigo depois de um dia frustrante...



AOS OLHOS DA ATRIZ

Eu preciso de silêncio...
Um silêncio sem o eco do próprio silêncio.
Quero morar dentro do silêncio...
Permanecer ali, por um tempo indefinido.

Que aja tempo suficiente!
Que aja silêncio!
Por que... Os olhos da atriz me pedem um poema...
Seu olhar feliz e infeliz.

Dê-me um gole de silêncio!
Apaga as luzes da cidade, das torres...
Hoje não haverá festa nem rumores.
Estacione os carros, interditam os aeroportos.

Meninos! Não façam barulhos!...
Mulheres! Descalcem os tamancos!... Por favor, ande nas pontas dos dedos...
Bêbados arruaceiros! Não perturbem o silêncio!... Adormeçam...
Adormeçam também loucos, vândalos, ladrões...
Eu preciso de silêncio com urgência!

Guardas noturnos! Guardem o apito!
Eu preciso de silêncio contínuo!
Silêncio leitor! Silêncio!...
Leia o poema em voz baixa.
Eu preciso de silêncio... Compreende?

Silêncio pra eu escrever o poema pros olhos da atriz.



QUANDO TINHA CERTEZA QUE ELA ME AMAVA

Quando tinha certeza que ela me amava,
ou que ela pensava em mim... "amar é pensar”
eu olhava as estrelas não como simplesmente estrelas. Porque as estrelas tinham algo a mais que simples estrelas...
Tinhas o sorriso dela quando me sorria aquela única vez que nos vimos, naquele domingo de março.
Tinhas o brilho daqueles olhinhos tristes, mas lindos!...
E agora não vejo as estrelas como antigamente...
Porque as estrelas já não são as mesmas estrelas, apesar de estarem no mesmo lugar de sempre...
Hoje vejo as estrelas com uma nova devoção, como simplesmente estrelas, astros celestes com seus mistérios intocáveis...
Já não tenho o dom de sorris às estrelas, que procurar nelas a minha poetisa, porque ela reina noutra galáxia bem distante da minha...
Ela já não pensa em mim porque já não precisa do poeta...



O CORAÇÃO DO HOMEM

O coração do homem é seu maior orgulho.
Como disse o poeta dos poetas: "um colibri dourado”

O coração do homem é o recinto das paixões...
O templo sagrado a uma só mulher: sua presente amada.

Se tiveres um homem a teu cativo, mulher
Jamais o desaponte o coração...
É deprimente o padecer de um homem de orgulho ferido...



LOUCURA

De repente um poeta ressurge dentro de mim.
Um poeta menino, adolescente, apaixonado!...
Cheio de idéias de vida – idéias novas –
A vida, de repente, me teve um valor incomparável.
Ela: loira, linda, louca! – amar um poeta é uma loucura que só quem ama sabe –
Eu, naquele instante, o mais moço dos homens,
O adolescente mais adolescente – talvez o único e o último –
Mas o instante... O instante se foi.
E o que restou do instante?... Eu com essa minha louca idéia de que sou velho de mais para uma menina adolescente: loira, linda, louca!



MIL MOTIVOS PORQUE NÃO POSSO TE FAZER UM POEMA DE AMOR

Eu não posso te fazer um poema de amor porque...
Eu não sou teu poeta!
E nem você minha Musa...
Se bem que eu te queria fazer um poema de amor...
Mas, não sou louco suficiente!
Não tenho a ousadia que tem os suicidas, pois
Fazer-te um poema de amor é suicidar-me – e o poema.
Eu só faço um poema de amor a ti se pedires que faça        – e de joelhos.
Digo isso porque sei que jamais me pediria um poema assim...
Ainda mais de amor.
Tenho mil motivos porque eu não te posso fazer um poema de amor.



SE QUISER ME AMAR

Se quiser me amar, me ame; não vou mendigar o teu amor por mim!...
O amor não se implora para tê-lo, se conquista com gestos simples, espontâneos...
E quando este amor conquistado é amor de verdade, não se modifica à fortes vendavais, ao contrário, é no sofrimento que mais eleva sua potencialidade de amar!...
O amor que vitaliza minha alma é sem limites! Amor maior que meu pequeno ser!... É esse amor que neutraliza em mim qualquer espécie de ódio que vem a querer aninhar no meu coração...
Em vez de mágoas, sinto pena de quem não sabe me amar da maneira que amo...
Se não me amas, tudo bem; amo-te com amor benevolente, sem mendigar o teu amor por mim!...



O SILÊNCIO AGORA

O silêncio agora é o melhor remédio de que preciso para revitalizar meu ser despedaçado...
Não quero saber se existem lágrimas no mundo,
Não as quero roubando minhas pernas...
Preciso delas para seguir...
Não sou tão forte assim para ser “escoria do mundo”
Minhas paredes são frágeis, ainda de giz...
Há muito na vida pra eu me consagrar vitorioso!
O Himalaia está à minha frente
E quero subir seguro à mão do meu melhor amigo...



NAMORAR

Passear os olhos nos olhos que se amam
Como o barquinho flutuante nas águas calmas de um oceano...
Assim, devagarzinho..., desbravando os mistérios para além da retina num entusiasmo único – a paixão!

Fazer carinho nos ombros e beijas de leve...
...de bem levinho como faz a neve na vidraça de uma casa aconchegante...
E num longo suspiro poético, cheio de saudades – mesmo pertinho – dizer que o seu amor é imensidade!...

Correr pelas ruas de mãos dadas..., presentear flores roubadas numa casa com jardim... – e sorrir...
Rolar na grama tolos de paixão sem se importar com os olhares dos que se olham criticando...
Tomar banho de purpurina extasiante de felicidade e depois...

... silenciar os corpos e os olhos num beijo de amor intensamente...

Amar como a primeira vez toda vez que amar...
Pois toda vez que se ama é a primeira no grande relógio do tempo que se move interruptivelmente...



SINTO-ME CANSADO

Um cansaço abate por sobre minhas pálpebras e eu...
Paralítico como estátua de um moço qualquer
Deixo-me uma mão sobre a outra e o “velho coração” – de três décadas
Bater macio no peito...

Ah, lembranças de algum tempo atrás...
Recordações de horas anteriores ao meu soluço empobrecido de esperança...

Disseram-me que a moça surgirá ao cais, pra eu ter paciência,
Pra eu ficar contando as jangadas que surgem sobre as vagas
Porque numa delas lá estará...

Ah, meu olhar de agora é tão sem esperança quanto
O olhar daquela moça aos vestígios do naufrágio
Em que perdera o namorado marinheiro...



CIRCUNSTÂNCIA

Só Deus sabe como me passo ao passado...

Passo por uma rua semi-escura...
Por um dia “daqueles”: “de cão” e..., no entanto
Como “as árvores de Cecília” me renovo!... – estou sempre me renovando...

Eu podia me encontrar com Clarice naquela rua
E com ela atravessar à confeitaria...
Podia ser eu o menino de sua caridade... – odiosa!

“um doce moça, compre um doce pra mim!”

Ah, eu bem que podia te dar uma rosa...
Espreitar-te ao meu peito e...
Dizer-te nos olhos o quanto de amor...
Mas não... Tu não mereces um espinho sequer.

Oh, mulher!... Fingida Camélia..., tu nada tens de Ofélia... – nem a loucura!
Me cura com “um beijo de Judas”!...

“Mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo...”
Não; não sou Raimundo, nem Drummond...
Sou qualquer coisa... – quem sabe um sábio que nada sabe.

Não se sabe ao certo o exato instante... (bum!) do Universo.
Se sabe versos diversos, derivados, deveres... – divã.
Mas nunca o Tudo.

“Meu amor..., sentia fome, pedi um biscoito a uma senhora do andar de cima...”

Senhoras caridosas ainda existem – elas não têm sexo.

Um cheiro, por favor, há um mendigo de amor...
Não!
Não... não... não...



ELA FECHOU A PORTA

Ela fechou a porta devagar pra não fazer barulho no coração...
Desanimou no percurso,
Desacreditou nas possibilidades...
Desatou sua mão da minha e, se foi...
Não; não quero que ela venha comigo sem antes deixar pra traz o medo das circunstancias...
Com o velho modo de pensar e dizer que em nosso caminho não há perspectiva...
Quero-a solta e livre acreditando comigo em vencer e construirmos juntos um castelo só nosso. – mesmo que este castelo seja uma casinha simples.



MORRO DE SAUDADES

Te espero na minha janela qual pequena menina de olhinhos mortos de saudades...

Morro de saudades..., e agora sei o que é o morrer assim.
Quando estava contigo não pensei que a distância pudesse existir...
E agora que sei não sou mais rei porque o sorriso é ausente...

Se eu pudesse te dar o abrigo do meu peito e te dizer nos olhos
nunca mais deixar partir...
Mas eu sempre soube que a vida, apesar de bonita, é dura de viver...

Vivo a querer teus dedos roçar meu rosto como parte do amor.
E no amor amar..., e no amar fazer brilhar nossa eterna estrela.

Chega pra mim..., meu coração te quer.
Me traga asas pra eu voar ao nosso amor.



GOLES DE SILÊNCIO

O silêncio tem essa coisa misteriosa de nos paralisar...
Impactante como os desenhos de Portinari!...

Um gole de silêncio nos faz pensar um mar de coisas...
Levam-nos a atravessar longitudes
E aproximá-las às proximidades da alma...

Amplitudes de meu Deus me mostre um verso
Pra eu dizer do silêncio que em horas
Faz-me fechado em mim mesmo!...

Goles de silêncio que tomo sem pressa
Antes ou depois de minhas refeições diárias...
São preces sem palavras! Orações consteladas!...

Quero não ter medo da morte que me chama descavernada...
Quero dizê-la infeliz, mal amada!...

Quero um dedo de prosa com meu bem essa noite
Esquecer que estou vivo, que sinto dores
Convidá-la a vir comigo sobre as reticências...

Quero o silêncio depois...
Não quero compreendê-lo, quero sentir...

O amor nunca é dito, mas sentido no silêncio dos corpos!...



ENQUANTO

Enquanto um amor novo não me chega vou escrevendo versos na areia, rabiscando paredes, suspirando aos olhares que me fazem bem... Devotando-os conscientemente de sua realidade...

Vou de saudades vivendo, fazendo dos meus amores passados; passados amores que já não são mais flores nos jardins de minhas primaveras!...

São esses amores idos fotografias velhas, guardadas para recordar...
Não são mais causa; são efeitos que já não feitiça mais meu ego...

Amores deixados em papéis... Sem melancolias mais! Amores que afagam e não mais ferem...

Sou livre! Um pássaro debruçado nas nuvens assuntando a vida correr sob suas asas...

Sou moço! Sem mais soluços noturnos... Pois sou sábio que num olhar novo, desses que me fazem bem, possa lá estar o reflexo do amor tão Ande que em meio peito vive a borbulhar!...



NÃO, NÃO MAIS...

Não vou deixar que perceba sequer uma lágrima tecer meu rosto frio, pálido...

Não quero que me veja mergulhado no puro vazio da alma... no tédio tremendo, na melancolia diária...

Não quero demonstrar no lábio um sorriso triste... – que todos os meus sorrisos, de agora por diante, sejam banhados na fonte mesma aonde se banha o arco-íris...

Não quero o amargo das noites solitárias – tão minhas – reveladas nas linhas de um poema a ti... A não ser o íntimo poema sem palavras manuscritas; apenas pensadas... 

Não quero que saibas das dores que teus risos me trazem quando não posso ter-te comigo nas horas mais difíceis dos meus dias... Quero te levar flores no riso, mesmo que a primavera seja efêmera, e amanhã, talvez, não encontres à tua porta uma rosa deixada por mim...

Não serei mais o poeta a qualquer instante te fazer um verso novo, dizendo do teu cabelo a rejeitar meus dedos, dos teus olhos diamantinos, teus risos cativantes a enfeitiçar os meus, tua doce pele morena que desperta meu instinto masculino, fazendo-me desejar-te sempre, com loucura...

Não te contarei mais que sofro, pois não desejo que sintas a mesma melancolia que sinto na alma matando-me aos pouquinhos... Assim também não te direi mais ir embora... – porque me dizes sofrer –

Não te direi outra vez que te amo... Porque te amo!... E sabes... Amo cada célula do teu corpo vadeando meus olhos apaixonados... a penetrar na tua alma com a leveza do pássaro que no azul do céu de outono se perde por querer...

Não; não mais terei poemas novos, minha querida, até que uma alma me tome pela mão e me conduza consigo ao caminho eterno do amor... E esta alma queira viver comigo as loucuras de uma vida simples, que saibamos possuir o mundo sem sermos possuído por ele... Direcionados, sempre, a plenitude da verdade e do amor que, certamente, é eterno...

Não; não mais... Sei que é difícil suportar, mas tenho de suportar calmamente como um monge a contemplar o poente pela última vez de sua tão curta existência...



HUMORADO

Não quero saber como era o rosto de Cleópatra
Se era feia ou se era linda
Se tinha mesma lábios finos e nariz comprido...
Já estou curado vinte por cento;
Não quero saber se meu time ganha ou pede.
Já me basta torcer por mim mesmo
para eu vencer o meu enfermo;

Não quero olhar no relógio
Nem que me digam as horas;
Não quero que bulam no meu porta-retratos...
Quero que o deixe como está:
Assim me olhando... e eu a olhá-lo...

Não quero ouvir música nem piadas...
Não quero forçar o riso no lábio.
Cair na gargalhada...
Não quero chope nem “refri” nem suco e nem chá
Quero café - se tiver - uma xícara só.

Não quero o barulho dos autos, dos móveis na sala,
Dos pratos na pia...
Quero o silêncio pra eu ouvir o "cri-cri" dos grilos...
"Os poetas mortos" - como diz Quintana -

Não quero livros, folhetos, jornais...
Quero apenas ler o chão, as paredes, o teto
Os olhos lindos no retrato...

Não quero alongar o poema
Cansei do poema
Estou farto do poema - por hoje -
Quero dormir... Mas antes,
Um gole de água,
Por favor.



NUM RUMO QUALQUER

Silencioso, comigo, perco o olhar num rumo qualquer e
com ele (o silêncio) canto
uma música sem voz e instrumentos...

É o canto da saudade que talvez silencie
Todos os ruídos ao meu redor...

Meus amigos (quase todos) são comprados pelas circunstancias
São objetos do tempo que se move no êxtase do instante
São partículas do caos...

Repouso a mão no queixo, enxovalho os olhos e
Continuo mirando
lembrando
pensando...



O MOÇO TRISTE

Depois que o circo se fecha ele contrai o riso,
lava o rosto,
guarda na sua maletinha as cores para outra ocasião.

Seus sorrisos não eram falsificados – nunca os foram.

Quem sabe, qualquer dia desses,
a alegria resolva ficar definitivamente...

– junta ao moço triste...



ROMPENDO AS EQUAÇÕES

Anseio-me a encontrar palavras expressivas um tanto
que eu possa descrever-te...
O bico da caneta vadeia no papel enquanto
o pensamento corre a distância de um oceano
em frações bilionésimas de segundos...
Desafiando todas as Leis da física moderna,
Rompendo as equações matemáticas,
Quebrando velhos paradigmas, construindo novos e
justificando outros...
A Lei dos opostos que se atraem é perfeitamente a Lei que anima nossos corpos a querer estar perto... – bem pertinho.
Corpos que ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo...
Pois, nossa sintonia nos fazem um só corpo... – isto é grandioso!
Minha paixão por você é igual a saudade multiplicada ao quadrado da velocidade do meu pensamento...

Eu te amo!



FOGEM OS PONTEIROS

Do relógio fogem os ponteiros tiquetaqueando...
E o tempo descolora ao passado,
Deixam as páginas amareladas,
E os vagões vão se perdendo carregados de saudades...

Ah, moça! Dê-me tua mão, e tudo fica bem.



SILENCIOSOS

Ontem ela suspirava à poética que há em seu coração bonito.
Hoje, silenciosa, lá no interior daquele edifício...

Talvez seja o tempo que está frio e que adormece seus dedos belos...

A neve embaça a janela de onde ela olha a avenida iluminada pelas luzes dos carros apressados...

E olha com saudade do poeta distante...
[também silencioso]
Noutro canto deste mesmo universo.



ESSÊNCIA DO TEMPO

Saudade das bondades que se vão a passar na minha janela
Sem que eu possa reter no tempo presente que é meu...
Está passando... – o tempo!
Vagarosamente para alguns, e para outros, incrivelmente veloz...
Sei; essa importância com o tempo é natural ao ser poeta.
Às vezes nos parece brincar com as palavras, e no origami dos versos compomos poemas...
Mas não, estamos “loucos”, sedentos pelo tempo...
– somos apaixonados pela realidade!
Perdão meu Deus, se algum dia quis ser mais que Ti!
Não quero ser dono de nada, “quero viver, beber perfumes”...
Quero reter a essência do tempo – sua eternidade.



O BANQUETE SILENCIOSO

Na estante os livros não me falam, estão vazios...
Dante, Platão, Baudelaire...
São moços de frases confusas – apenas.
Monarquia, Fédro, O poema... (do haxixe)

Nada importa quando dos olhos em fuga a natureza...
Quando vislumbra somente incertezas... 

Talvez um deles me ofereça a taça, o outro o vinho
E o outro se disponha a me servir...
E bebemos num banquete silencioso 
Sem discurso algum...
Teorias, teoremas, trepidas línguas em pronunciar o pensamento...

O amor encerra em si mesmo embriagado no vinho.

Pernoitemos assim, recostados no colo da mesa...
– em silêncio.



AMO POR INTEIRO

Quando amo, me entrego ao oceano sem reservas...

Amando, as impossibilidades não me existem.

Assim como a Clarice, “não sei amar pela metade”

Amo de todo, por inteiro
O amor que o coração escolheu amar pra vida inteira...



CARTA POÉTICA

Minha querida, você sabe o quanto tempo faz que eu não te escrevo poemas...
Sei que tem notado, e talvez até com certa angustia, essa minha ausência nos versos...

Vivo de profundo silêncio poético.
E este silêncio é mais dinâmico que se eu estivesse a te escrever sequencialmente...

Estou a te viver e a contemplar dentro de mim com a mais perfeita comunhão...
A tua lembrança é doce, e adoça todo meu interior.

Nossa paixão é bela porque o amor que a conduz é sólido, e este amor não nasce de qualquer espécie de desejo, nasce do mistério do encontro sincero que se prolonga...
Nosso amor é fermentado com o querer das chamas que não se apagam nem mesmo na mais triste e solitária estação invernal...

Temos conhecimento de nossas situações adversas, nossas paixões complementares, que mesmo não sendo fontes de nossa vivência não deixam de ser necessárias as nossas responsabilidades.

Sei de tuas lutas e superações, e isto me traz um orgulho imenso, me faz ver que você é aquela parte feminina que tanto procura este moço que é poeta...

Sinto que me completa, porque me traz os mais belos predicados que pode haver em uma mulher essencialmente mulher.
Talvez isto explique a minha persistência em te querer tão somente minha.

A vida não é fácil, e bem sabemos disto.
A realidade muitas vezes dói porque ela vem sempre acompanhada com razões que nos roubam a animação, mas não somos seres condenados às razões, elas por vezes nos paralisam, isto é certo, mas não nos solidificam, porque o que nos movem é o amor, e o amor é maior que tudo.

Eu creio no amor que amamos! E mesmo que nossos caminhos não se encontrem, estarei certo de que contemplamos juntos e vivenciamos a pura essência poética de que os verdadeiros amantes são agraciados pela vida.

Eu te amo, minha doce mulher! 



ADORMECE O GÊNIO

Estou entrando numa fase insegura... – ou talvez mais segura.
Onde me pareço adormecido o homem apaixonado.
Acho que foram os momentos breves de amar sem respostas   
Ou talvez incerteza dos amores amados...       

Os porquês me acodem do meu vazio e eu fico
Às vezes horas interligado ao pensamento... – sozinho em mim mesmo.
E tudo a minha volta é ausência...       

E penso não amar outra por medo de sofrer     
Os desígnios de uma paixão inglória...   
Mas também não há esperança de amar...

Penso que já tomei todos os licores
Que já me embriaguei por demais...
Agora é curar-me e viver
A incerteza de encontrar a quem me surpreenda
Com maior encanto que o último dos amores.
   
Acho que já é alguma coisa ultrapassar
As piores revoltas do meu romantismo
Saindo-me sem o mesmo fim que o jovem Werther.

É último ato. Desçam as cortinas... Adormece o gênio.




SAUDADES E LEMBRANÇAS



Autor: Agnaldo Tavares Gomes



APRESENTAÇÃO:


      Tive a honra de ler de um fantástico filosofo uma das mais geniais frases: “Saudade é amor na ausência”. Não há quem não deixe os olhos debruçados na janela da saudade quando tomado por boas lembranças... E não é preciso estar diante da velhice do corpo para admirar esta beatitude da alma... Todos nós que amamos sentimos no peito um aperto àqueles que por um motivo teve de deixar-nos por momentos breves ou para sempre no cais da saudade... A saudade é uma oração em preces à pessoa amada... A poetisa de olhos tristes – tão lindos! A atriz de sorriso meigo – simples! A morena perfumada, que mesmo de sandálias e de cabelos despenteados acho linda! Todas elas com seu jeitinho impar de conquistar os versos suspirados deste coração que escolheu na vida o ofício de compor poemas...

(As poesias que compõem este livro foram escritas em 2010.)



                    DEDICATÓRIA:

                    Dedico este livro as pessoas que me conforta a alma
                    na simples lembrança...
                    E que me traz saudade ao coração.

“A casa da saudade chama-se memória:
é uma cabana pequenina a um canto do coração."
(Coelho Neto)



SAUDADES E LEMBRANÇAS

Já não quero mais lembrar você
Porque lembrar você é morrer duas vezes...
Além de sentir pena de ti que morres sem mim
Sinto de mim pena porque morro sem você...

E tantas vidas já se foram...
E tantas vezes já morri...
Tantas vezes a tive em meus braços
Ao hálito último - a morrer...

Morro e sempre renasço...
Sempre me renovo contigo
Porque há necessidade em mim em viver...
Porque há necessidade que viva...

O amor que não pode ser, é
Uma realidade que contemplo
Sabendo que contemplas de olhar igual
Ao meu olhar cheio de saudades e lembranças...



SE TU QUISERES

Quero viver contigo sob o mesmo teto
À mesma mesa sentar-me contigo
E contigo na mesma cama deitar...

Quero sorrir como sorris ao espelho
Um daqueles sorrisos dramaturgos
Quando teu pensar, minha querida,
É o pensar em mim... Apaixonada!...

Quero te abraçar a mão a mão minha
E levar-me contigo por ai... Pela vida!
Essa grande jornada –“sinfonia inacabada...”

Quero, mas... Se tu quiseres, querida.



SE QUISER IR À PARIS

Se quiser vir comigo, vem agora,
E vamos galgar nossa história numa estrada simples... – e feliz!
Vamos contemplar flores sem se preocupar com os dias...

Tudo proverá o amor!

Mas oh, não espere de mim rei pra ser rainha.
Talvez me torne diferente do que sou agora
E te queira por meretriz e não por senhora.

Se quiser ir à Paris, vem comigo à realidade.

Meu bem, Paris é um sonho, o amor é que é real!



SE VIER COMIGO

Se vier comigo, deixa o trigo
Que o pão lhe trago... – confia em mim.
Deixa teu braço laçar meu braço;
Teu passo ao meu passo...
E, se sentir cansaço,
Verás que valera a pena
Tantos anos neste compasso.



A PARTE FEMININA QUE ME COMPLETA

Se mesmo vier, deve ser simples como as flores,
Controlar teu ego de possuir coisas
Pois, adianto-te, não me elevarei a certa altura...

Os meus sonhos são singulares – nada absurdos.
Meus passos são calmos, medidos,
Sei por onde corre as águas do meu rio...

Tem de ser serena e compreensível
Se quiseres o poema mais doce dos poemas!
Ver além das coisas, a alma delas.

Pois, quero uma mulher, e não um objeto;
Não pra desfrutar; quero amar!
Cumplicimente andarmos de mãos dadas...

Não espero que sejas perfeita,
Uma santa posta no altar...
Mas uma fiel companheira – exemplar.

Uma mulher que seja realmente
A parte feminina que me completa!



O TRIGO AO PÃO

Pena que o amor verdadeiro é rejeitado... (quase sempre)
Em seus olhos o amor borbulhou
Quis saltar-se para mim...
Mas, tu não acreditaste no meu sorriso,
Renegastes o pão preferindo ao trigo...

Pena que o amor verdadeiro é eclipsado...

Em meus olhos o amor encantou,
Quis saltar-se para ti...
Mas, tu não aceitaste o meu braço,
Preferindo a outro que ao meu compasso...



TUDO BEM

Não veio comigo... – não pode – tudo bem,
Vou eu sozinho, e encontro forças na lembrança de ti...

Forte a mais forte muralha contra os desígnios da vida;
A mais linda rosa em meio às cinzas...

Tu vences; eu... vou vivendo...
E acredito que isso também é vencer!



RECORDAÇÕES
...e quando tocava teus ombros,
era ali a única maneira que encontrava de expressar
meu amor sempre a crescer...

Recordações me trazem a ausência de ti...
Ando distraído, só, pelos cantos, pensando...
Mendigando perfumes nalgum objeto
Por onde tenhas corrido teus longos dedos... – tão belos.

Teus olhares... Teus sorrisos... Teu calor...
Tudo submete meu ser a ti... E corro
Pra distante corro... Qual fugido condor
Foge às mais altas montanhas ao exílio...

Mas, miragens me trazem ao abismo.
Vejo teu rosto calmo, num sorriso lindo!
Em cada espelho que me olho rindo...
Suspiros violentos me sangra o peito.

E eu, com meu olhar distante, distraído,
Contemplo tua sombra esvaindo
Por entre as folhagens tangidas pelo vento...



TARDES DE OUTONO

Olhos parados no último outono...
Eu era menos triste – um pouco feliz
Em minha face transluzia uma luz amarelada...
Era fim de tarde, e  eu sabia.

E aquele outono, aquele fim de tarde
Trazia-me o céu azul e estrelado
Eu contava estrelas com o pensamento – sozinho
E sozinho eu ria como um louco em transe
Tresloucado eu ria...

Ai, saudades do impossível de haver!...
Dos vagos instantes, das utopias
Sei que não devia, mas tenho saudades
Das tardes de outono, da melancolia.



FOGEM OS PONTEIROS

Do relógio fogem os ponteiros tiquetaqueando...
E o tempo descolora ao passado,
Deixam as páginas amareladas,
E os vagões vão se perdendo carregados de saudades...

Ah, moça! Dê-me tua mão, e tudo fica bem.



FLOR DA TEMPERANÇA

Melhor contemplar a serenidade em nossa face...
Deixar o tempo dizer por nós.
Sem forçar o coração ao desejo do primeiro toque,
Do primeiro beijo...

O tempo é quem dita os dias e as horas
Com seus minutos e segundos intermináveis!...

Deixa que vá por águas plácidas
Nosso barquinho de sonhos e desejos...
Pra quê ter pressa se o que tiver de ser o será?!...
Há um fator circunstancial entre nós dois: a Vida!

Algo novo nasce sem malicia como a flor na brisa...
Algo sem selvageria – inocentemente...
E bem mais humano que animal.
E é este algo que resiste a dias tempestuosos...

Afinal, o que fica depois de tudo é o amor.
E o amor é além de tudo... – é Ele o Tudo!
O fruto essencial da flor da temperança.



ELA

Nalgum canto ela passa...
e eu canto a canção dos olhos dela – no meu canto.
Eu tonto de paixão por ela
me atiro num poema à janela
de qualquer avião que passa.
Talvez lá esteja fazendo pirraça...

Nalgum canto ela dança, e eu assovio
um assovio ora feliz, ora triste – e ela chora...
Ela chora tão lindinho que parece uma menininha
chorando à boneca que perdera o braço.

Sei que ela não é tão menininha assim, mas é jovem.
É a jovem mais perfeitinha e linda de minha juventude.

Nalgum canto ela vive sem mim, e eu,
no meu canto tento viver sem ela.



ACREDITO EM TEUS OLHOS

Acredito em teus olhos mesmo que a distância tenha
a ousadia de nos querer a quilômetros...

Acredito porque uma vez olhando-te me vi dentro dos olhos teus... – dali ao coração, só alguns centésimos. (me apaixonei)

Acredito também porque não existe sujeito, poeta ou não poeta que não se apaixone em olhar-te...

Todos que te olham ficam assim iguais a mim:
bobos de repente...
Perigo um desses sujeitos parado no meio de uma avenida movimentada...

Acredito em teus olhos não só porque são lindos,
Mas também porque são lindos mesmos!
Neles têm aquilo que os outros não têm.
Não me pergunte o quê, seria eu suspeito em dizer...

Acredito em teus olhos por ser duas estrelinhas que vivem a piscar aos meus...
Isso quando te vejo ou te imagino igualzinha naquela fotografia:
As mãos ao rosto e os olhos para bem distantes...
Num pensamento que desejo ser eu.

Acredito em teus olhos e irei acreditar sempre a cada novo olhar que deixares na direção de mim...
E eu – pobre poeta – com o coração nas mãos.



PROMETO-TE

Prometo-te amor eterno se você for minha
Amor tão grande que nem sei como cabe em mim...

Prometo-te sexo todos os dias
Sexo com carinho, só assim é bom – poesia.

Prometo-te todo finzinho de tarde passear contigo de mãos dadas...
Se não houver praia, serve a praça (afinal, a praça é dos namorados).

Prometo-te muitos risos...
Se for preciso, me visto de palhaço, pinto o rosto e
ainda dou cambalhotas no calçadão...

Prometo-te um feriado toda semana
Sem contar os sábados e domingos que já são sagrados.
E neste dia fazer-te mil poesias!...

Prometo-te fechar as cortinas quando a noite for pequena pra tanto amor...

Prometo-te, enfim,
todos os dias o pão na mesa (quentinho)
e o poema feito por mim.



EM VULTOS E MIRAGENS

Pelos cantos vou... E vou
Mendigando um sorriso teu...
E encontro nada mais que
Vultos, miragens de você...

Pela vida chorando
Como todo humano ser...
Trazendo um riso triste
Em vultos, miragens de você...

Nem sei quem sou na verdade
Se o poeta ou se o moço ator
Trazendo no lábio amargor
Em vultos, miragens de você...

Esboço teu corpo no pensar
E sinto teu cheiro, teu calor...
Tua voz tremula a querer
Um novo poema de amor...

Mas, em face ao ideal é apenas sonho
Vultos, miragens de você...

Sei; teu olhar olha agora
Outra face olhar-te com outros olhos
E eu (pobre ser)
Em vultos e miragens de você...



ALMA POETA

Quando uma alma sobressai
Por entre milhares e bilhões de almas
E esta vem a caminho de outra
Torna-se ela alma queria.

Então a poesia despetala versos
Perfumados, amorosos...
Então um riso faz-se colorido
Da face desta...

Que é também poeta.



O SOL DA VIDA SIMPLES

O tempo sempre a correr por entre meus dedos curtos...
Não sei se devo ter pressa, mas sinto pressa
Tenho de buscar lá fora meus desejos doces
Mesmo que a amargura das circunstâncias me deprima...

Não sei se me comporto egoisticamente vil, mas...
Quero apenas enxergar o sol da vida simples e plena
Sob as abas do chapéu de minha curta existência
Não além dos passos que ainda ensaio a dança...

Enxertar minha alma numa outra alma... – bela!
Viver assim: um poema alegre
Sem o ódio que paralisa e gela;
Sem o medo que aprisiona e fere...

Ah!... Eu quero viver... Quero amar!
Simplesmente amar... – mais nada.
Seguir por entre as pedras da estrada...
Vencer a fúria do bravo mar.

Sei, a caminho do meu saara, qual percorro
Uma alma graciosa espera minha alma
Qual traz nos olhos a melodia suave
Que só os anjos e arcanjos possuem a flauta...
– esta flauta mágica!



DOIS BOBOS

Quando sorriamos juntos éramos dois bobos...
Eu e Ela: dois bobos!
E era assim que éramos felizes
E era assim que amávamos e odiávamos
as mesmas coisas bobas da vida.
Éramos dois gatos no telhado se rasgando por inteiro...
Ela, a gatinha dos olhos castanhos,
lindos até de mais para uma gatinha que me amava e suportava todas as minhas tolices...
Eu, o gato mais bobo dos gatos. O mais apaixonado!...
Orgulhoso por amar a gatinha mais gata daqueles telhados...
Éramos sim felizes – bobos de amor.



SUBSTANCIALMENTE

Penso em ti desvairadamente... – a todo instante.
Tu és substancialmente o ar que respiro... O delírio
Que me toma a lucidez... Faz-me louco!
A desenhar teu rosto nos de outras moças...

Outras moças que não me causam nada que
Um olhar comum na multidão frenética...
Moças indesejadas, perto das quais
Sou um místico à contemplar o poente...

Tu és substancialmente a água da fonte...
Não me sacio de ti, te quero sempre!
Tu és o desejo que me possui a alma
O “querer mais que bem querer”...

Longe de ti sou qualquer coisa que
Um grande vazio, um vácuo no universo.

Meus versos sem ti são versos... – apenas
Contigo, suspiros de amor!... – poemas.

Substancialmente tu és o que preciso.



UM MELHOR POETA

Sei que não tenho sido um melhor poeta...
Juro que tenho me esforçado – e muito.
Talvez, meus poemas tenham sido pobres de você.

Acho que seria pior se eu morresse amanhã...
E ainda pior se eu morresse antes das seis
Sem acompanhar contigo o nascer do sol,
Sem dizer em teus olhos o quanto “te amo”!

Talvez fosse melhor se eu morresse caducando
Depois de viver na tua vida inteirinha,
Mesmo que ainda jamais te seja
Um melhor poeta.



BUSCO-TE

Busco-te numa estrela perdida por trás da lua...

Busco-te qual um vagabundo à noite na rua...

Busco-te num cálice de vinho que trago às mãos...

Busco-te no olho avermelhado de uma prostituta qualquer...

Busco-te no chão que piso sem saber se jaz
Nalguma cova ali perto...
Nalguma estrela enterrada na areia de algum planeta...

Busco-te incansável...

E assim, buscando-te, continuo...
Porque tu que me ensinastes o que é ter esperança.



O ANJO DA NOITE

O som do violão negro no pensamento eu ouço
E vejo a menina passar com passos, calma...
Ela vai soletrando versos à rua escura
Atenta aos acordes do instrumento com alma...

Vai como astros à noite saltam
No ritmo da canção compassadamente...
Em lindos arabescos clareia o céu
Como em prata no lençol da noite...

E a menina sorri demorada, em festa
Sentindo no peito o gênio poema
Pulsando e vibrando ao coração poeta
Na mansidão noturna de uma noite sem lua...

E assim pela rua serena continua
A soletrar seus versos à poesia
Ao negro violão que trazes aos braços
O anjo da noite que à menina preludia...



ÚNICO VERSO DE AMOR

Que me prende a olhar-te
Desta maneira serena
Fazer-me ridículo
Um bobo poeta
Contar-te sentimentos
Na prosa de um poema?

Desejo-te menina
Desejo e não nego
Tocar tua pele
Com os lábios meus
Virgens dos teus...

Quando na tua ausência
Meu coração chora
Em vão minha mão recata
Tua miragem lá fora...

Por tantas noites... – tantas
Fiz companhia à lua
Adormecendo em lençóis frios
Em lembranças e saudades tua...

Não mais devo te amar
Da maneira que amo.
Não serás minha
Nem serei de ti
Pois, talvez medo de sofrer...

De tudo, te peço uma coisa:
Deixa-me viver contigo
Nem que for apenas num poema
Único verso de amor.



QUANDO EU FOR
“A tragédia me faz rir, a comédia me faz chorar,
E o drama? Nem rir, nem chorar...”
(Carnioli)

Quando eu for, estarás comigo
E eu contigo – no pensamento.

Sempre a morena perfumada, de riso lindo, olhar doce.
Eu, comediante, dramaturgo, trágico...

O palhaço que te fez rir
O homem que te fez pensar
E o poeta – ao partir – te faz chorar...



SEREIA MORENA

Com uma flor nos cabelos ela sorrir...
– não me pergunte para quem.

Com uma flor nos cabelos ela é linda!
– sem a flor também.

Com uma flor nos cabelos ela olha o infinito...
– e tão bonitinho.

Com uma flor nos cabelos ela me diz algo...
– algo que eu não sei dizer.

Com uma flor nos cabelos ela parece uma sereia...
– por que uma sereia?...

É verdade... Todas as sereias que me disseram existir
eram loiras,
Mas nunca uma delas eu pode ver...

A única sereia realmente que eu conheço
Tem olhos e cabelos negros... – e é morena!

Ah! E guarda nos cabelos uma flor.



MAIS FORTE EM PERDER

Sem magoas vou pela vida
Assoprando as folhas no meu caminho...
– folhas secas do último outono.

Se eu perco algo aqui, ganho ali...
Não sou um perdedor vicioso – sou mero aprendiz.

Em perder sou mais forte... Pois,
Perder nada mais é que viver! – e viver é a grande síntese.

Nem tudo se ganha na vida,
Perde-se também.

Desde criança perdi muito e ganhei tanto
Chorei tantas lágrimas e ri muitos risos...
– no entanto: triste e feliz.

Pensei perder a vontade de viver quando
Perdia o riso do palhaço no meu próprio espelho...

Mas sempre há uma fonte onde se lava o rosto...
Há sempre um circo novo em que se encontra a alegria!



INFINITO QUE NOS CABE

Abraça-me devagar, deixa teu ser prender-se a mim,
Teus longos cabelos nos afagos meus...
Nossas almas se encontrar,
Fundir como dois faróis na escuridão...

Não há crime quando se amam verdadeiramente...
Crime é deixar o amor passar sem acontecer.

Que queres na verdade: as migalhas da vida breve
Ou pão da vida longa?
Que preferes?...

Sei; não te posso levar comigo para além do desconhecido...
Que um porto nos separa nossas almas nalgum fim...
Mas, enquanto não, me leva contigo ao infinito que nos cabe...

E assim, juntos, faremos do aquém, nossa casa breve
Com flores coloridas na janela.



AMAR-TE DE AMOR

Que mais um poeta pode compor a sua Musa
Senão um beijo de amor num papel abstrato
Onde esboça seu corpo tão bem comportado...

Onde quero morrer meus lábios senão na tua pele
Desvendando os mistérios de tuas curvas
Em beijos de amor à eternidade...

Sei que a vida é breve... – e como é breve!
Mas pode ser infinita nas brevidades
Nos instantes de amor em braços amados...

Quero amar-te Musa sonhada!...
Amar-te não só de desejos,
Mas amar-te de amor! (e não existe mais belo pleonasmo)



PORQUE SEI AMAR

Hoje sem sol, tedioso...
Amanhã – quem sabe – um girassol resolve
Olhar à minha janela...
Daí eu perceba que a vida é tão bela!
E não melancolia,
Mas poesia dinâmica...

Meus amores idos se foram porque tinham de ir...
Tinham compromissos, paixões outras.
Eu, sem amor, sem ódio, sobrevivo
Porque sei amar a quem nunca me soube...



TEMPO DE PARTIR

É tempo de partir! Meu olhar todo despedida...
Passo vago pelas coisas acariciando-as
Trazendo-as bem mais perto do peito
A embalar ao coração humano...

Adeus amigos! – diz meu olhar adivinho.
Adeus mulheres que amei! Última paixão,
Alma virgem dos meus beijos,
Dona dos meus suspiros de amor enlouquecidos...

Adeus passos curtos que vão ficando pelas ruas...
Folhas do outono que me brindastes um ruído...
É tempo... Tempo de partir!...
Quem sabe haverá regresso – quem sabe um dia.

Adeus mãos que me acenam lenços brancos...
Lágrimas que por mim caem num triste pranto...
É tempo! E é inevitável...
O barco espera de velas hasteadas,
As vagas varrem para além da praia...

Adeus perfumes... Flores de cores tantas... Adeus!
É tempo... Tempo de partir...
Almejo o horizonte
Só vejo caminhos a percorrer...
– novas liberdades em braços outros.

Tempo de juntar as coisas: os livros lidos e os por serem lidos...
Os poemas já escritos e os nãos escritos... Adeus!



TEMO POR TI

Teus olhos jamais serão
As pérolas encantadas que tanto busco.
Serão apenas pedras comuns... – nada mais.

Temo por ti, ser tarde... – e muito tarde.
Se por ventura descobrires que são meus olhos
Teu amparo, teu exílio, último cais...

Enquanto não, estou por aí ainda o mesmo,
Aquele peregrino moço suspirando versos
Falando a sós, interrogando a si mesmo, caducando...

O borbulhar de outros diamantes vejo...
Novos versos suspira meu peito,
Minha alma ao versejo...

Mais uma vez, temo por ti...
Sei ser forte na frustração diária – acredito ser.
Não te quero uma lágrima tecer no rosto...

Queria que fosses minha... – tão minha.
Se não, como lhes disse: deixo-te por amor
E sigo a rua deserta... – sem ti.



NADA SEI DE MAR

O poeta pobre sem teto e sem carro...
O tempo largo, o poeta jovem.

Camarada, estamos no mesmo impasse!

Só amei mulheres que me amastes,
Mais amastes o “ter” que o “ser”... – e eu tenho nada.
Dei meu braço, renegastes,
Quisera viver de fantasias... – e eu tinha apenas poesias.

Camarada, estamos no mesmo barco!

Minha amada não tem lar,
Tem um sorriso que acredita em mim...
Ama o que sou – e eu sou muito.

Confio em ti, camarada de sandálias,
Eu que nada sei de mar.



ÚLTIMA INOCÊNCIA

Quero retornar-me à janela da última inocência,
Recontar estrelas de olhar pasmado
Rindo como bobo daquela despencada...

Quero renascer,
Rebrincar,
Reapaixonar pela vida!

Reescrever na face do tempo minha própria história.



APRENDIZ DE POETA

As lágrimas se foram todas
Ficaram recordações de uma tarde fria.
Agora sou outro
Mais sábio que ontem.

Envelheço, mas o mesmo moço
E a cada passo que vou pela rua
Escrevo uma letra na minha existência.

Eu, aprendiz de poeta
Que jamais fui senão humano ser
Em desertos solitários dentro de mim.

Lágrimas que me rolaste na face
Levando minha dor
Soluços de amor.

Ontem quase morto
Hoje outro moço
Renovo.



O POETA RENASCE

Quando todos os versos parecem emudecer
Eis que ressurgem à luz do amanhecer
Um poema novo de uma beleza universal.

Eis que o poeta dado por morto renasce
Com mais vigor ainda, a alma plácida.
Porque ele, mesmo não sabendo o que é amar, ama...



MINHA BIOGRAFIA DE AMOR

Se me contasse o segredo nos teus olhos enquanto
Tenho no peito o coração a suspirar de amor,
Poderia conservar-te na minha biografia – a maior das paixões.

Mas se tu me escondes algum segredo de amor,
Retiras-te a ti mesma da história do poeta
E perde-se como qualquer na estrada sem regresso...

O amor sem reciprocidade não tem raízes,
Morre prematuro antes do florir...
Não quero – se existe amor – ignorar-te em mim.

Conta-me o segredo dos teus olhos que juro – juro mesmo!
Guardar-te comigo no livro que ainda escrevo...

A tinta fresca e o papel virgem
Aguarda gravar teu nome na minha biografia.



UMA CENA FELIZ

Vem sem medo
Vem sorrindo
tomo-te nos braços
e faço-te do peito
teu ninho.

Recebo-te sem medo
e sem receio
te agarro com jeito
te beijo
e faço meu ninho
no teu seio.

Vem a mim que vou a ti
Eu me entrego a você
Tu te entregas a mim...

E fim.



MAU HUMOR BEM HUMORADO

Não quero o tédio de ficar sem cais
Nunca mais eu quero chorar em vão
Não tenho coração pra ser capacho
Sempre que me perco me acho...

Não sou escravo de nenhum objeto
Sou muito esperto pra vencer derrotas
Não dou as costas pra desconfiança
Não sou de briga
Mas se vier eu topo.

Uma coisa que me detesta
É esta pressa que dá na gente
De viver o presente sem reparar nas cores
Sacrificar amores por pormenores...

Sou muito macho pra não ser machista
Detesto artista convencido
Poema dadaísta
Mulher metida
Homem sem caráter.

Mas, se quer realmente ser meu amigo
É muito fácil:
Sejas comigo o que queres que eu seja contigo!



VIVER – À MANEIRA CASTRO ALVES
“Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre que embalsama os ares”
(Castro Alves)

Brindar a sorte na taça da vida... – Viver!
Dizer à morte que morra, mas que morra sozinha
Na sua solidão triste – eterna velhice...

A vida é uma orquestra! – “sinfonia inacabada”...
Poesia dos mares, dos céus, dos ares...
A mais bela obra da Criação.

Morrer jamais! Jamais morrer...
Viver sempre! Sempre viver...
“Beber perfumes na flor silvestre que embalsama os ares”

Viver! Cantar! Amar intensamente...
Ser amor a todo instante – sem brevidade.

Beber no seio da vida os versos mais doces
Embalar no seu calor o coração pulsante
Sempre a pulsar – a pulsar de amor...

Viver sempre! Sempre viver – infinitamente...



VERSOS SEM PALAVRAS

Não quero mais compor melancolias
Viver no pessimismo de uma vida inglória
Quero a melodia dos pássaros
Das flores a poesia...

Quero a mulher que seja minha – só minha.
A outra parte que me completa
Que faz me sentir mais poeta...

Não quero cerveja quente nem fria
Ler fuxico, política, piada...
Quero estar só, no meu canto, sossegado,
Poetizando meus versos sem palavras...



RECOMEÇAR

É tempo de colher o riso na árvore da vida...
Regar as flores, sorrir às montanhas...

É tempo de cantar bem alto o canto dos alecrins...
Aplaudir os cisnes, alimentar aos pombos...

É tempo de lavar na fonte o rosto sujo...
Caminhar silencioso, de braços livres...

É tempo de correr as cortinas no abrir...
Olhar os girassóis, cumprimentar o sol se pôr...

Tempo de assoviar aos pássaros nos galhos...
Saudar as flores, agradecer aos rios...

É tempo de construir uma nova muralha...
Um alicerce mais sólido a uma casa mais firme...

É Tempo de recolher num canto, reconhecer os erros,             sentir mais livre...
Tempo de reorganizar, reconstruir, recomeçar!



DE TODAS QUE AMEI
Quando está frio, tenho o costume de esfregar uma mão à outra...
E sempre que faço isso, lembro-me dela sorrindo e me dizendo:
“até parece que assim se aquecerás” Sempre será ela na minha memória a expressão de mulher mais sublime!... Presente no meu coração mais que sempre. Hoje sou o que na verdade sou graças ao carinho, a compreensão, o amor sempre sincero a este amigo poeta!

No silêncio do meu quarto apenas se ouve                                        o tic-tac do relógio de cabeceira...
E a velha canção no meu peito... (vinte e poucos anos atuante)
Ora num ritmo acelerado como um rock-and-roll:                         sons de guitarras extasiadas!...
Ora numa sutileza de valsa: movimentos lentos... – perfeitos!
Em que por mais que se põem os ouvidos de encontro ao chão não se ouve o barulho dos passos,
Pois não há barulho algum...
Dançar uma valsa é estar nas nuvens
E estar nas nuvens é estar no espaço
E neste movimento, neste ritmo desacelerado que                          a música em meu peito vive agora...
A razão é certa lembrança de certa mulher que amei...
– e não posso negar que a amo.
Sou louco por ela! – uma loucura doce.
Ela, não talvez, mas sim,                                                                                             é a mulher mais perfeita de todas que amei...
Cujos olhos são diamantes,
linda por dentro e por fora, por todos os lados, todos os poros.
– e eu, bobo, pensei não existir.
Mas ela existe! E está tão distante de mim...
Talvez o destino não nos queiram juntos                                                 de tão perfeitos que podíamos ser.



ENQUANTO VOCÊ NÃO ME CHEGA

Enquanto você não me chega vou escrevendo poemas,
Pela casa suspirando versos pelos cantos
Ocupando os espaços vazios com minha poética...

Às vezes vou à janela, não para tragar um cigarro, pois           não fumo, e tu sabes que não,
Mas, tragar um pouco da lua que, às vezes, teimosa                                       se oculta a uma nuvem; restam-me as estrelas...

E o tempo todo longe, sozinho, perdido em meio às estrelas...
E o tempo inteiro perto, contigo, encontrado em braços amigos...

E à busca da poesia no silêncio,
No puro encontro com os astros cadentes, taciturnos, persisto...

Tateio levemente os móveis
Buscando algum vestígio que tenha ficado de você                                 sob o pó que se ajunta...
E não encontro sequer por toda casa                                                             um cílio do teu olho tão doce...
De uma meiguice infinita... – bela!

Então, sem remédio prá tanto tédio,
Estreito o travesseiro ao peito e ali permaneço, e durmo                       em longas preces devotadas a ti, minha querida!



ESBOÇO

Não tenho pressa em dar-te a mão... Pois
Tu virás num dia desses em que o sol
Abrir seus raios firmes por sobre as coisas...

Tu me virás tão moça, bem mais linda que o esboço
Que rabisco no papal abstrato do pensamento...

Tu serás tão minha quanto eu serei de ti:
Duas almas prendidas num elo duradouro...

Eu, talvez já saiba teu rosto, a cor de tua pele,
Teus cabelos, teus olhos e tudo mais...

Talvez já tenha escutado o som dos teus risos,
Teus passos aproximando a mim...

Talvez conheça o teu perfume...

Mas, não me importa, não tenho pressa,
Espero-te calmo, de coração sereno,
O tempo que for...

Porque confio em ti.



UMA SAUDADE
Quando fecho os olhos gosto de vê-la assim: do meu lado, lendo o poema que a fiz... – o qual trazia dentro do livro, e a entreguei – criticando o primeiro verso, dizendo de mim exagerado quando falo que seus olhos são como estrelas que riem...
(do meu livro Poetisa)

Retorno-me as cores!...
Rabisco papéis, esboço traços
No enlace do lápis que corre livre...

Um sorriso largo numa tela incolor!
Um desenho mágico! Uma saudade...
Um rostinho jovem – tão lindo!

Adorável menina há quem um dia
Deixei o soneto adormecer a rima...

Sempre a poetisa a me contar um segredo,
Algo novo que lhe contou a vida...

Sempre uma alegria, uma lembrança boa.
Felicidade que vive em meu peito
A suspirar baixinho um doce nome...

Sempre eterno este amor que lhe tenho
Sem compromisso, amor infinito!
De todos os amores o mais bonito.



A OITAVA COR DO ARCO-ÍRIS

Recordo-te como recordo as notas de uma canção...
E tu foste a oração do meu dia a dia
Foste a poesia na minha mesa junto ao pão...

E como são fugazes os anos, meu bem!
Ligeiros vagões em trilhos ferventes
A descarrilar-se em algum canto... – sabe lá onde!

Hoje, lembro-te como algo passado – com saudade.
Mas, ainda uma lembrança presente,
Um “sonho distante” que quisera ser lembrada...

Tu foste a mulher que me mostrou o amor
Mesmo que eu nunca compreendera
Tua enigmática maneira de me amar...

Hoje, te recordo ainda, felicitado!
E teu olhar, teus risos
Será sempre a oitava cor do arco-íris...



BREVIDADES

Nas brevidades da vida é que o amor conjuga
Eu amo-te na certeza de que tu me amas!
E esse amor em nós é feito de verdades.

Amo-te porque amo! – e é tudo isso.
Um amor que aproxima os relativos
Que nos dá a certeza de que somos reais!

Não importa os verões desérticos...
A vida é uma mistura entre sins e nãos.
O que importa são as primaveras que hão de vir...

Todas as manhãs eu abrirei minha janela
Na confiança de que também versejas – nalgum canto.
Um suspiro poético de amor e saudades...



SEMPRE POR PERTO

A serenidade que me beija a alma é teu sorriso
Sempre a girar a roldana e me trazer da fonte
A água que musifica minha vida...

Teus olhos são caminhos iluminados por onde
Percorro a realidade como é de ser...
E não a utopia dos velhos magos
Que nunca soube a verdadeira alquimia
De transformar tristezas em alegrias...

Mas tu, sempre por perto, mesmo que o oceano conteste,
Dizendo de si imensidade,
Sabe me conduzir a felicidade!...



FUGIR...

A fuga é inválida quando se tem o coração preso.

É preciso apagar os rastos antes de seguir adiante...

Desenlaçar-se

Desapegar-se

É uma questão de escolha retornar ou prosseguir...

É um ato de coragem arriscar no que é incerto.

É uma covardia, também, desistir no caminho...

É perder ou ganhar,

Não há empate.



COMO SE INCOMPLETO

Há um vazio em mim como se incompleto...

Olhos murchos como a flor cativa na redoma escura
Sem ar, sedenta, sem calor...

Meu Deus! Pergunto, como pode um poeta viver sem amor?

Os versos não podem ser de todo melancolia
Há de haver sorrisos, beijos, perfumes...

Não nasce alegria das cinzas – apenas tristezas.

Meu Deus! Quero dos olhos da moça a poesia
Que me escrevera no eterno livro... VIDA!




DOCE E FIEL

Eu quero me navegar no teu corpo como se no mar,
Beijar-te com arte no delírio de amar...

Quero ser envolto por suas ondas,
Aconchegado nos teus seios perfumados
– seios que me atiça o querer doidamente...

Doce canção que recordo ao violão
Vivo de contar as horas de tua chegada,
Minha doce e fiel namorada.



“OS POETAS SÃO RAROS”

Pensei que pudesse contar contigo de verdade
Que viesse comigo quando lhe desse a mão
A construir sonhos e realizar juntinhos...

Talvez não quisesse uma vida simples
Do lado de um homem de coração poeta.

Mas olhe,
Se quiseres voltar – se sentir saudade
Não se acanhe,
Estou a tua espera...

(não sei por quanto devo)

Como disse uma amiga: “os poetas são raros”.



UM TEMPO...

Você me pediu um tempo...

Faltou lhe perguntar qual a proporção deste tempo:

Se um tempo curto,
Um tempo longo
Ou,
Um tempo que talvez leve de nós a existência...

Estou a Ti esperar no cais da saudade com uma rosa à mão,
Os olhos enxovalhados e...

O coração triste.



E COMO RIAS

Convidativo era teu sorriso a embriagar-se
Embriagar-me
Embriaguei

Embriagado no sorriso que era teu
Que era meu
É meu

Pois de lembranças é que vivi a memória
A história
Ria

E como tu rias de um sorriso embriagante
E tu ris
Em riste

E eu não sei se consigo rir
Ir...

Pois,
Eras no teu sorriso que encontrava minha sorte.



FALANDO EM POESIA...

Escrever deve ser mais que facinação!
Deve ser um não dever
Um expressar
O coração.



O RELÓGIO TEMPO

Os dias estão correndo sem nós
Distanciando no espaço-tempo...

Há tanta coisa a compartilhar juntos!

O velho relógio no alto da catedral sem nome
Na ciranda dos ponteiros parece brincar
Com os nossos sonhos de amor... – perfeitos sonhos!

Meu coração traz um canto triste de saudade...

Fico a lembrar... No teu corpo quente
Quis beber em beijos
O perfume doce em tua pele nua... – completamente.

Te amo com intensidade!... És Ti minha ideal mulher!

Volta-me! E quebremos o relógio Tempo...

Pois, sem ponteiros nosso amor encontra eternidade!...